domingo, 14 de junho de 2015

Partidas & Chegadas

A minha semana de férias em Portugal consistiu em bifanas, Santos, caracóis, praia, amigos, choco frito, spa, gelados, família, cozido à portuguesa e imperial. (Tinha de por aqui umas coisas pelo meio para atenuar a preponderância da gastronomia.)
O meu regresso a Paris consistiu em quase 40 minutos à espera da mala no aeroporto.

Mas é bom chegar a casa. Lá e cá.

A felicidade pós-caracóis e choco frito na Costa

Os pintainhos acabados de nascer da "quinta" do Sr. Panças

A Baía de São Martinho, que parece mais bonita com lente de emigrante

A tarde de spa com a mommy, "porque ela merece" (e eu também!)

A Praia da Morena, que me proporcionou o meu bege 02.

O mar da Foz do Arelho, num passeio revivalista com o Sr. Panças

O gelado mais generosamente servido da minha vida

sábado, 23 de maio de 2015

Cenas que me ocorrem assim de repente

Deparada com um fim de semana de quatro dias e sem planos para ocupá-lo, acabei por ir parar à pergunta do costume: e se fosse a Portugal? Pouco depois, tinha férias e o voo marcados, sem pensar muito mais nisso.

É claro que decisões de última hora têm imenso potencial para correr mal e eu não demorei muito a perceber isso. Acabei por vir a saber que um dos meus irmãos e a minha mãe não iam estar lá durante grande parte da minha estadia. Merda!

Agora, passado o choque e recuperado o entusiasmo, lembrei-me de três razões que, por si só, anulam todos os precalços:

  • A época do caracol está, oficialmente, aberta e quem acha que a França é o país dos escargots não sabe, certamente, do que fala;
  • Está aí o aquecimento para os Santos e eu já tenho saudades de poder pagar uma imperial com apenas uma moeda;
  • A praia é uma cena que existe mesmo e o verão também, embora em Paris ambos não passem de meras lendas urbanas.

Posto isto, resta-me rezar aos deuses dos aviõezinhos para que a Tap não passe nenhuma rasteira e, de acordo com a minha countdown app, daqui a 12 dias, 5 horas e 39 minutos, hei-de estar a chegar a Lisboa.

domingo, 17 de maio de 2015

Televisão francesa in a nutshell

A televisão francesa é a coisa mais diversificada e inovadora que já vi. Se não acreditam, ora atentem nestes quatro programas (selecionados de forma completamente aleatória pelo nosso sistema):

1. Les Reines du Shopping
(As Rainhas das Compras)
Para os menos atentos, já falei deste programa aqui. Resumidamente, é um concurso semanal em que cinco mulheres recebem um tema e vão às compras. Todas avaliam os outfits umas das outras e, no final, a que tiver a melhor pontuação ganha €1000. Mind-blowing, I know!

2. Un dîner presque parfait (Um Jantar Quase Perfeito)
Num registo totalmente diferente, este programa consiste num concurso em que cinco pessoas se recebem umas às outras e preparam um jantar para os restantes. Todos se avaliam e - guess what?- quem tiver a melhor pontuação ganha €1000.

3. Bienvenue au Camping (Bem-Vindos ao Parque de Campismo)
Este inova logo nos participantes: em vez de cinco pessoas, são quatro pares. Estes pares são proprietários de parques de campismo e vão dormir aos parques uns dos outros, avaliando-os No final - estão sentados? - quem tiver a melhor pontuação ganha €3000. Esta é que vocês não esperavam!

4. Tous les couples sont permis (São Permitidos Todos os Casais)
Também muito original, este tem quatro casais, que tentam provar que têm as melhores relações. Cada dia, uma das mulheres apresenta o seu namorado/marido/whatever e são postos à prova pelas outras. Sim, adivinharam: todas avaliam os outros casais e ganha quem tiver a melhor pontuação. O prémio? Um maravilhoso fim de semana romântico.

Como poderão concluir, todos estes programas têm a receita para um final perfeito, todas as semanas: jogadores que querem ganhar o dinheiro e que, para tal, vão sempre tentar queimar os outros. Discussões, lágrimas, frustração e caras de felicidade falsa por terceiros... aaahhh, quem é que precisa da Casa dos Segredos?!

domingo, 3 de maio de 2015

Run with a view

Quando estava a morar em Versailles, uma das coisas de que mais gostava era do facto de viver ao lado do palácio. Fazer daqueles jardins maravilhosos o meu ginásio ao ar livre era um enorme privilégio e sair de casa para pedalar uns quilómetros soava mais a passeio turístico do que a exercício físico. Ora, para uma pessoa desesperadamente ligeiramente preguiçosa como eu, esse fator era quase determinante.

Quando mudei de casa, tive realmente pena de deixar isto para trás; embora continuasse a ser vizinha de um grande espaço verde*, nunca seria a mesma coisa. Ou seria?

Depois de mais de um mês de pura inércia (e de 5 temporadas de Community vistas em menos de duas semanas), hoje baixou sobre mim uma vontade de voltar ao ativo. Atravessando a estrada, lá fui eu para o sítio do costume mas, desta vez, com uma mudança de rota dentro das intermináveis opções de trilhos do parque.

E foi então que o karma presenteou a minha força de vontade com isto:







Fotos tiradas com o telemóvel. Não se pode pedir muito.

Nada mau, hein?

* que dá pelo nome de Parc de Saint-Cloud/Domaine National de Saint-Cloud.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Good old days

Tenho saudades de quando não percebia Francês o suficiente. O metro parava a meio de um túnel, as luzes piscavam e eu fingia, com a maior naturalidade do mundo (pelo menos, na minha cabeça), que não reagia ao que quer que seja que anunciavam ao microfone porque estava de phones e era demasiado cool para me importar. Nisto, procurava sinais em outros viajantes, para saber se devia começar a enviar mensagens a avisar que estava atrasada ou a despedir-me do mundo.

Aaahh, bons tempos! Agora, que percebo quando anunciam que "o funcionamento do Tram está temporariamente interrompido porque há alguém no meio da linha e estão a aguardar a intervenção da polícia" (sim, praticamente fluente, je sais), volta-se-me a subir aquele nervoso miudinho, começo a olhar obsessivamente para o relógio e o meu dia está, praticamente, arruinado.

De facto, a ignorância, por vezes, é uma bênção...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Assim, sim!

Fotos +/- aleatórias retiradas do meu Instagram

Não adoro Paris no inverno. Aliás, ainda não decidi se, de um modo geral, adoro Paris, mas isso fica para outro capítulo. Como ia a dizer, não adoro Paris no inverno: é cinzenta, triste, nublada, despida, quase estéril.

Fora a emoção de sair de casa com -5º para ir trabalhar, equipada com três pares de collants por baixo das calças, e de ocasionais quedas de neve que, para o comum dos mortais, são absolutamente irrelevantes, é uma estação que, aqui, não é digna de grandes relatos e memórias.

Já a primavera - senhores - a primavera é como uma extreme makeover que acontece: céu azul, excelente background  para as fotos do Instagram; árvores em flor, perfeitas para combinar com o já mencionado céu azul; e pessoas com uma humanidade recuperada, com as faces ligeiramente rosadas e a expressão subitamente bem mais afável.

E depois há o picnicar, o substituto direto (fruto das circunstâncias) do tão português esplanadar. Não há jardim que não seja tomado de assalto, nem alma que se continue a confinar às paredes do escritório. É chegar a hora de almoço e assistir aos prédios esvaziarem-se e às "carreirinhas" de formigas a encaminharem-se para a extensão de relva mais próxima.

Gosto desta faceta parisiense, desta veia mais despretensiosa e menos planeada. Gosto dos fatos e gravatas misturados com sanduíches e pernas à chinês; das mantas improvisadas e dos sapatos de salto temporariamente postos de lado. Tivéssemos nós hora de sesta obrigatória e acho que me decidia imediatamente quanto à dúvida ali do primeiro parágrafo...!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Chegar a abril e...

...perceber que, além de se perspetivar uma odisseia burocrática com a versão francesa, ainda tenho de fazer o IRS de Portugal. Por pouco mais de dois meses que trabalhei em solo luso em 2014, deveria funcionar do género: não pagas, não recebes, let's call it even!

Acham que o Passos e companhia lêem o meu blogue?

sexta-feira, 27 de março de 2015

5 Coisas que mudam ao sair de Portugal

Decidi fazer a minha própria versão/adaptação deste artigo, do ponto de vista de uma portuguesa a viver em França. Mas, quer-me parecer, isto aplica-se a muitos outros países de chegada.

1. O nosso nome torna-se, subitamente, super interessante
Aparentemente, ter dois (ou mais) apelidos é algo nunca antes visto e não ter segundo nome é praticamente um sacrilégio. Acrescentem-lhe as pronúncias exóticas por parte de estrangeiros e, subitamente, o vosso nome tem imenso potencial e pinta.

2. Levantar dinheiro pode transformar-se numa verdadeira odisseia
Para quem está habituado ao sistema Multibanco, com ATMs em tudo quanto é sítio, e a ter um banco por cada 1000 habitantes (tipo na Benedita), ir viver noutro país exige um planeamento cuidadoso das despesas que exigem pagar em dinheiro. O risco de precisar desesperadamente dele e não encontrar uma caixa é ridiculamente elevado. PS: também ainda se usa cheques.

3. O Português de Portugal perde a identidade
Se me pagassem 50 cêntimos por cada vez que tenho de explicar que não, não é praticamente igual ao Espanhol, e não, não é o mesmo que no Brasil, já tinha comprado uma ilha perdida no Pacífico. Outros comentários incluem: "parece Russo Espanhol ou Polaco Espanhol" e "todas as palavras acabam em «-che»".

4. O valor que damos à sopa aumenta exponencialmente
Mesmo para quem, tendo escolha, antes optaria por não comê-la de todo, a ausência quase total de sopa nos menus desta terra faz com que esta se torne objeto de grande desejo. A abertura de uma "Loja das Sopas" aqui seria o acontecimento mais inesperado de sempre.

5. Ir ao supermercado passa a ter horário
Esqueçam as idas ao Continente do Colombo às 23h, ou as compras para a semana feitas aos domingos. O mesmo se aplica a quase todo o comércio, na realidade, com centros comerciais a fecharem às 20h e restaurantes encerrados ao domingo. Mas quem é que no seu perfeito juízo vai querer comer fora a um domingo?!

Algum destes pontos vos soa familiar?

domingo, 15 de março de 2015

Toda uma esquizofrenia climatérica

Gosto de pensar em fazer a mala com alguns dias de antecedência. Fazê-la, efetivamente, já é outra história, mas gosto de planear o que quero/preciso ou não de levar para não acabar a sofrer as consequências de mais um episódio de overpacking.

Agora a minha questão é:
Se em Paris ainda faz frio de inverno (embora tenha havido uma ameaça de primavera que durou 2/3 dias), em Lisboa, segundo dizem, já parece quase verão, e vou passar um fim de semana para os lados da Serra da Estrela, como é que ponho isto tudo na minha singela mala?

Não é fácil!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Não existem relações perfeitas

A nossa relação é relativamente recente. Já tinha ouvido falar imenso dela, mas nunca passou disso mesmo: um nome que se ouve e uma fantasia que se cria. Ainda não tem um ano que, finalmente, nos conhecemos pessoalmente. Numa situação em que as opções eram escassas, estendeu-me a mão e eu fui.

Voei pela primeira vez pela Tap em maio do ano passado. Para quem tinha um passado que se resumia a companhias low cost, posso dizer que me senti, desde logo, arrebatada. (Dêem-me revistas em português e um bom empadão, e eu rendo-me logo.)

Mas, da mesma forma que me deixei conquistar por ela, também acabei por me desiludir. Em outubro, uma greve que me fez perder 10 anos de vida nos 60 segundos que demorei a ler o e-mail; em dezembro, outra que quase me fez jurar um "nunca mais!".

Tem sido, de facto, uma relação cheia de altos e baixos, muitas ameaças de break up e outras tantas reconciliações emocionadas. Eu chateio-me, bato o pé e prometo nunca mais voltar. Ela pede desculpa, fala-me ao telefone com voz doce e não desiste enquanto não me vir novamente satisfeita.E nisto, eu vou dando mais e mais oportunidades, à espera que ela mude.

Dentro de algumas semanas, encontramo-nos novamente e, com o histórico recente, só espero que não seja desta que bato com a porta para sempre.