Sobre a Madeira: foi demasiado bom. Uma semana de vida fácil, rodeada de mar, de cabelo salgado e havaianas nos pés. Uma semana de amigos, barriga cheia e vistas de cortar a respiração.
Foi a minha segunda visita à ilha, 5 anos depois e em circunstâncias completamente diferentes - as minhas e as da Madeira. E se, mesmo com o caos ali provocado no fatídico 20 de fevereiro de 2010, já tinha voltado apaixonada, agora estou pronta para me por de joelhos e fazer a pergunta.
Fazia-me falta aquele azul todo, em todo o lado, de qualquer ângulo, de qualquer ponto. Paris é uma cidade bonita e lálálá, mas é cinzenta, monótona e um pouco claustrofóbica. Fazia-me falta o simples ato de ir ao café ou jantar com amigos e ficar na conversa, sem dar pelo tempo passar. Depois de mais de vinte anos a assumir isto como pedra basilar de uma cultura, não é fácil desacostumar.
Resumidamente: foi MESMO bom! Não sou de tirar semanas inteiras de férias - dois ou três dias, a juntar a um fim de semana, são normalmente a minha fórmula, para fazer render e para não custar tanto a voltar. Desta vez, mais do que de costume, custou a voltar, mas valeu TANTO a pena...!
E, mais importante que tudo, consegui o meu bege 04. Sim. Eu. A sério.
Estas vêm emprestadas do meu instagram:
domingo, 13 de setembro de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
Squats & Gossip Girl
Se tivesse de resumir o meu dia a dia em três palavras, neste momento, seriam as do título deste post. Se não estão a perceber a relação, eu explico: são as duas principais formas com que tenho ocupado o meu tempo, depois do trabalho.
Sendo, por natureza, preguiçosa, não gosto, no entanto, de ser sedentária. Após algumas tentativas de manter uma rotina de corrida, a coisa nunca pegou como deve ser e voltei sempre ao mesmo sítio: o sofá. Agora, ao estilo AA, posso finalmente dizer que estou ativa há um mês e meio (não tenho a moedinha, mas tenho testemunhas!).
Nem tudo resulta, como é óbvio, para todos e há que encontrar o que resulta para nós. Para mim, é fazer as minhas figuras em privado, seguindo planos de exercício em vídeo, no conforto da minha sala. Aqui, posso suar e ficar desgrenhada à vontade, usar roupa feia e que não combina sem qualquer complexo, enquanto revejo Gossip Girl (o mês passado foi Sex and the City) na televisão.
Há rotinas que são boas, há séries que têm de ser revistas e há maus hábitos que podem ser combatidos assim como quem não quer a coisa (ou seja, com velhos hábitos). E depois é toda uma pesquisa que estou a fazer para chegar a Nova Iorque super bem informada, claro.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Roma, a despretensiosa
Roma foi tudo o que esperava e ainda mais. Foram quatro dias num mundo totalmente diferente, envolvidas numa inexplicável sensação de felicidade e despreocupação, como se a vida fosse fácil, se não a tornássemos nós difícil. Em Roma, as pessoas são mais bonitas, a comida sabe melhor e não há recanto que não mereça ser fotografado.
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| Em Roma, tudo menos passar fome. E sede. |
Andámos mais de 50 quilómetros a pé, provámos vários ícones da gastronomia italiana, acenámos a estranhos parados em semáforos nas suas vespas, fizemos sessões fotográficas com fracos resultados em tudo quanto era sítio e vimos o papa. Vagueámos, ao acaso e nem tanto, usámos coroas de flores, recebemos um beijo na mão do caixa do supermercado e fomos enganadas por um vendedor de flores. Fomos felizes.
Gostava de ter escrito este texto mais cedo, com a memória fresca e o sorriso na cara que aquela cidade me deixou. Voltei com a convicção de que aquele lugar poderia muito bem ser a minha casa e que, mesmo com tudo o que Paris tem de belo e impressionante, aquela Roma simples e despretensiosa dá-lhe quinze a zero, num piscar de olhos. Quem sabe, um dia...?
Algumas fotos, das centenas que tirei:
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| A nossa rua, em Trastevere, o bairro mais bonito da cidade. |
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| A imponência do Coliseu, vista de fora e de dentro. |
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| A Piazza Navona, num final de tarde. |
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| O Fórum Romano, uma das primeiras surpresas que tive. |
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| Um passeio pela Villa Borghese, depois do almoço na Piazza del Popolo. |
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| Vista da Praça de São Pedro, a partir da Basílica. |
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| Vista sobre Roma, a partir do Palatino. |
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| O Vittoriano - Monumento a Vítor Emanuel. |
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| Uma das últimas fotos, na despedida, com a agatxigibaba. <3 |
domingo, 14 de junho de 2015
Partidas & Chegadas
A minha semana de férias em Portugal consistiu em bifanas, Santos, caracóis, praia, amigos, choco frito, spa, gelados, família, cozido à portuguesa e imperial. (Tinha de por aqui umas coisas pelo meio para atenuar a preponderância da gastronomia.)
O meu regresso a Paris consistiu em quase 40 minutos à espera da mala no aeroporto.
Mas é bom chegar a casa. Lá e cá.
O meu regresso a Paris consistiu em quase 40 minutos à espera da mala no aeroporto.
Mas é bom chegar a casa. Lá e cá.
A felicidade pós-caracóis e choco frito na Costa
Os pintainhos acabados de nascer da "quinta" do Sr. Panças
A Baía de São Martinho, que parece mais bonita com lente de emigrante
A tarde de spa com a mommy, "porque ela merece" (e eu também!)
A Praia da Morena, que me proporcionou o meu bege 02.
O mar da Foz do Arelho, num passeio revivalista com o Sr. Panças
O gelado mais generosamente servido da minha vida
sábado, 23 de maio de 2015
Cenas que me ocorrem assim de repente
Deparada com um fim de semana de quatro dias e sem planos para ocupá-lo, acabei por ir parar à pergunta do costume: e se fosse a Portugal? Pouco depois, tinha férias e o voo marcados, sem pensar muito mais nisso.
É claro que decisões de última hora têm imenso potencial para correr mal e eu não demorei muito a perceber isso. Acabei por vir a saber que um dos meus irmãos e a minha mãe não iam estar lá durante grande parte da minha estadia. Merda!
Agora, passado o choque e recuperado o entusiasmo, lembrei-me de três razões que, por si só, anulam todos os precalços:
É claro que decisões de última hora têm imenso potencial para correr mal e eu não demorei muito a perceber isso. Acabei por vir a saber que um dos meus irmãos e a minha mãe não iam estar lá durante grande parte da minha estadia. Merda!
Agora, passado o choque e recuperado o entusiasmo, lembrei-me de três razões que, por si só, anulam todos os precalços:
- A época do caracol está, oficialmente, aberta e quem acha que a França é o país dos escargots não sabe, certamente, do que fala;
- Está aí o aquecimento para os Santos e eu já tenho saudades de poder pagar uma imperial com apenas uma moeda;
- A praia é uma cena que existe mesmo e o verão também, embora em Paris ambos não passem de meras lendas urbanas.
Posto isto, resta-me rezar aos deuses dos aviõezinhos para que a Tap não passe nenhuma rasteira e, de acordo com a minha countdown app, daqui a 12 dias, 5 horas e 39 minutos, hei-de estar a chegar a Lisboa.
domingo, 17 de maio de 2015
Televisão francesa in a nutshell
A televisão francesa é a coisa mais diversificada e inovadora que já vi. Se não acreditam, ora atentem nestes quatro programas (selecionados de forma completamente aleatória pelo nosso sistema):
1. Les Reines du Shopping (As Rainhas das Compras)
Para os menos atentos, já falei deste programa aqui. Resumidamente, é um concurso semanal em que cinco mulheres recebem um tema e vão às compras. Todas avaliam os outfits umas das outras e, no final, a que tiver a melhor pontuação ganha €1000. Mind-blowing, I know!
2. Un dîner presque parfait (Um Jantar Quase Perfeito)
Num registo totalmente diferente, este programa consiste num concurso em que cinco pessoas se recebem umas às outras e preparam um jantar para os restantes. Todos se avaliam e - guess what?- quem tiver a melhor pontuação ganha €1000.
3. Bienvenue au Camping (Bem-Vindos ao Parque de Campismo)
Este inova logo nos participantes: em vez de cinco pessoas, são quatro pares. Estes pares são proprietários de parques de campismo e vão dormir aos parques uns dos outros, avaliando-os No final - estão sentados? - quem tiver a melhor pontuação ganha €3000. Esta é que vocês não esperavam!
4. Tous les couples sont permis (São Permitidos Todos os Casais)
Também muito original, este tem quatro casais, que tentam provar que têm as melhores relações. Cada dia, uma das mulheres apresenta o seu namorado/marido/whatever e são postos à prova pelas outras. Sim, adivinharam: todas avaliam os outros casais e ganha quem tiver a melhor pontuação. O prémio? Um maravilhoso fim de semana romântico.
Como poderão concluir, todos estes programas têm a receita para um final perfeito, todas as semanas: jogadores que querem ganhar o dinheiro e que, para tal, vão sempre tentar queimar os outros. Discussões, lágrimas, frustração e caras de felicidade falsa por terceiros... aaahhh, quem é que precisa da Casa dos Segredos?!
domingo, 3 de maio de 2015
Run with a view
Quando estava a morar em Versailles, uma das coisas de que mais gostava era do facto de viver ao lado do palácio. Fazer daqueles jardins maravilhosos o meu ginásio ao ar livre era um enorme privilégio e sair de casa para pedalar uns quilómetros soava mais a passeio turístico do que a exercício físico. Ora, para uma pessoa desesperadamente ligeiramente preguiçosa como eu, esse fator era quase determinante.
Quando mudei de casa, tive realmente pena de deixar isto para trás; embora continuasse a ser vizinha de um grande espaço verde*, nunca seria a mesma coisa. Ou seria?
Depois de mais de um mês de pura inércia (e de 5 temporadas de Community vistas em menos de duas semanas), hoje baixou sobre mim uma vontade de voltar ao ativo. Atravessando a estrada, lá fui eu para o sítio do costume mas, desta vez, com uma mudança de rota dentro das intermináveis opções de trilhos do parque.
E foi então que o karma presenteou a minha força de vontade com isto:
Quando mudei de casa, tive realmente pena de deixar isto para trás; embora continuasse a ser vizinha de um grande espaço verde*, nunca seria a mesma coisa. Ou seria?
Depois de mais de um mês de pura inércia (e de 5 temporadas de Community vistas em menos de duas semanas), hoje baixou sobre mim uma vontade de voltar ao ativo. Atravessando a estrada, lá fui eu para o sítio do costume mas, desta vez, com uma mudança de rota dentro das intermináveis opções de trilhos do parque.
E foi então que o karma presenteou a minha força de vontade com isto:
Fotos tiradas com o telemóvel. Não se pode pedir muito.
Nada mau, hein?
* que dá pelo nome de Parc de Saint-Cloud/Domaine National de Saint-Cloud.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Good old days
Tenho saudades de quando não percebia Francês o suficiente. O metro parava a meio de um túnel, as luzes piscavam e eu fingia, com a maior naturalidade do mundo (pelo menos, na minha cabeça), que não reagia ao que quer que seja que anunciavam ao microfone porque estava de phones e era demasiado cool para me importar. Nisto, procurava sinais em outros viajantes, para saber se devia começar a enviar mensagens a avisar que estava atrasada ou a despedir-me do mundo.
Aaahh, bons tempos! Agora, que percebo quando anunciam que "o funcionamento do Tram está temporariamente interrompido porque há alguém no meio da linha e estão a aguardar a intervenção da polícia" (sim, praticamente fluente, je sais), volta-se-me a subir aquele nervoso miudinho, começo a olhar obsessivamente para o relógio e o meu dia está, praticamente, arruinado.
De facto, a ignorância, por vezes, é uma bênção...
Aaahh, bons tempos! Agora, que percebo quando anunciam que "o funcionamento do Tram está temporariamente interrompido porque há alguém no meio da linha e estão a aguardar a intervenção da polícia" (sim, praticamente fluente, je sais), volta-se-me a subir aquele nervoso miudinho, começo a olhar obsessivamente para o relógio e o meu dia está, praticamente, arruinado.
De facto, a ignorância, por vezes, é uma bênção...
I miss the old days when I didn't understand French well enough. The metro would stop in the middle of a tunnel, lights going off, and I would casually pretend that I wasn't reacting to whatever they were announcing on the speakers because I had my headphones on and I was just too cool to actually care. Then, I would look for signs on the other people riding the metro, trying to see if I should start texting saying I was late or even saying goodbye to the world.
Ooohh, the good old days! Now that I do understand when they announce that "the Tram is temporarily out of service because there's a person standing in the middle of the railway and they're waiting for the police" (I'm totally fluent, je sais), I start feeling nervous, checking my watch obsessively, and my day is pretty much ruined.
Ignorance really is bliss, sometimes...
Ooohh, the good old days! Now that I do understand when they announce that "the Tram is temporarily out of service because there's a person standing in the middle of the railway and they're waiting for the police" (I'm totally fluent, je sais), I start feeling nervous, checking my watch obsessively, and my day is pretty much ruined.
Ignorance really is bliss, sometimes...
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Assim, sim!
Fotos +/- aleatórias retiradas do meu Instagram
Não adoro Paris no inverno. Aliás, ainda não decidi se, de um modo geral, adoro Paris, mas isso fica para outro capítulo. Como ia a dizer, não adoro Paris no inverno: é cinzenta, triste, nublada, despida, quase estéril.
Fora a emoção de sair de casa com -5º para ir trabalhar, equipada com três pares de collants por baixo das calças, e de ocasionais quedas de neve que, para o comum dos mortais, são absolutamente irrelevantes, é uma estação que, aqui, não é digna de grandes relatos e memórias.
Já a primavera - senhores - a primavera é como uma extreme makeover que acontece: céu azul, excelente background para as fotos do Instagram; árvores em flor, perfeitas para combinar com o já mencionado céu azul; e pessoas com uma humanidade recuperada, com as faces ligeiramente rosadas e a expressão subitamente bem mais afável.
E depois há o picnicar, o substituto direto (fruto das circunstâncias) do tão português esplanadar. Não há jardim que não seja tomado de assalto, nem alma que se continue a confinar às paredes do escritório. É chegar a hora de almoço e assistir aos prédios esvaziarem-se e às "carreirinhas" de formigas a encaminharem-se para a extensão de relva mais próxima.
Gosto desta faceta parisiense, desta veia mais despretensiosa e menos planeada. Gosto dos fatos e gravatas misturados com sanduíches e pernas à chinês; das mantas improvisadas e dos sapatos de salto temporariamente postos de lado. Tivéssemos nós hora de sesta obrigatória e acho que me decidia imediatamente quanto à dúvida ali do primeiro parágrafo...!
I can’t say I love Paris in the winter. Well, I haven’t decided yet if I love Paris generally speaking, but that’s something to discuss on another chapter. As I was saying, I don’t love Paris in the winter: it’s gray, sad, cloudy, and almost sterile.
If we exclude the excitement of leaving the house to go to work with -5ºC, equipped with three layers of tights underneath my jeans, and a few occasional snowfalls that are completely irrelevant to most people, I would say this is a season with not much to talk or remember about around here.
Spring, however, is like an extreme makeover: blue sky (an excellent background for some nice Instagram pictures); flower-covered trees (to go along with that blue sky); and people suddenly looking more humane and approachable, with their lightly flushed faces.
And then there’s the picnicking, a natural replacement to the extremely Portuguese esplanadar. There is no park not being stormed, nor a soul that stays confined to the sad walls of an office. As lunch time approaches, we can watch the buildings getting empty, while everyone walks to the closest bit of grass.
I like this Parisian side, more unpretentious and less thought through. I like the suits and ties mixed with sandwiches and people sitting on the floor. I like the improvised blankets and the high heels temporarily put aside. If we had a mandatory nap time, I would totally make up my mind about that doubt I had up there in the first paragraph…!
If we exclude the excitement of leaving the house to go to work with -5ºC, equipped with three layers of tights underneath my jeans, and a few occasional snowfalls that are completely irrelevant to most people, I would say this is a season with not much to talk or remember about around here.
Spring, however, is like an extreme makeover: blue sky (an excellent background for some nice Instagram pictures); flower-covered trees (to go along with that blue sky); and people suddenly looking more humane and approachable, with their lightly flushed faces.
And then there’s the picnicking, a natural replacement to the extremely Portuguese esplanadar. There is no park not being stormed, nor a soul that stays confined to the sad walls of an office. As lunch time approaches, we can watch the buildings getting empty, while everyone walks to the closest bit of grass.
I like this Parisian side, more unpretentious and less thought through. I like the suits and ties mixed with sandwiches and people sitting on the floor. I like the improvised blankets and the high heels temporarily put aside. If we had a mandatory nap time, I would totally make up my mind about that doubt I had up there in the first paragraph…!
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Chegar a abril e...
...perceber que, além de se perspetivar uma odisseia burocrática com a versão francesa, ainda tenho de fazer o IRS de Portugal. Por pouco mais de dois meses que trabalhei em solo luso em 2014, deveria funcionar do género: não pagas, não recebes, let's call it even!
Acham que o Passos e companhia lêem o meu blogue?
Acham que o Passos e companhia lêem o meu blogue?
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